Marília Andrade
Antropóloga pela UFPE, mestre em comunicação pela USP. Foi pesquisadora no Instituto Locomotiva. Cuida da pauta geral e da linha editorial. Não responde reunião antes das dez.
Em outubro de 2019, Marília Andrade voltou para casa depois de uma reunião de pauta numa agência da Vila Olímpia. Ela tinha apresentado dados que ninguém pediu, sobre um movimento de igrejas evangélicas no interior do Maranhão. A reação foi educada. Ninguém comprou.
Naquela noite, na copa do apartamento dela em Pinheiros, escreveu o primeiro número de uma newsletter com seis assinantes. Cinco eram amigos da pós-graduação. O sexto era o porteiro do prédio, que tinha implicado: "doutora, manda pra mim também, mas escreve em português que eu leio".
O porteiro ainda assina. Hoje somos nove pessoas na redação, três correspondentes em Recife, Manaus e Porto Alegre, e uma base de dados que cobre 317 cidades brasileiras. Mas a régua continua a mesma: se o porteiro não entende, a edição volta pra mesa.
A gente não escreve para painel. Escreve para quem vai usar o painel para tomar uma decisão na sexta-feira à tarde. É uma diferença pequena que muda todo o jeito de pesquisar.
A gente não cresceu em linha reta. Cresceu por sobressaltos, com gente saindo e entrando, com edições que travaram e renderam mais que as outras quinze juntas. Estes são os pontos de virada.
Seis assinantes. Doze páginas em Word. Tema: o crescimento da música gospel sertaneja no interior do Mato Grosso do Sul. Sem revisão. Foi enviada da copa do apartamento, no Wi-Fi do vizinho.
Uma agência de Belo Horizonte assinou para receber dois números por mês. Joaquim Vieira, que estava saindo de um instituto de pesquisa, entrou como sócio. A redação virou dupla. A newsletter virou estúdio.
A edição N° 7 cartografou a migração da gíria "tá maluco" do passinho paulista para o telejornal. Foi citada em três colunas de domingo e numa banca da USP. A base de assinantes saltou de 14 para 41.
Saímos da copa. A redação aluga uma sala na Rua Augusta. Contratamos pesquisadoras em Recife, Manaus e Porto Alegre. Pela primeira vez, conseguimos publicar uma edição com campo presencial em quatro regiões simultaneamente.
O Brasil é grande demais para caber num dashboard. A gente não tenta caber. A gente recorta, anota, atravessa, escuta o motorista, volta pra mesa, escreve, apaga, escreve de novo. E entrega quando o texto faz sentido pra alguém que decide sozinho.
— Manifesto interno da redação · 2024
Toda assinatura na nossa publicação é nominal. Nenhuma reportagem sai com "equipe BRASILERO". Você sempre sabe quem escreveu, quem pesquisou e onde encontrar essa pessoa.
Antropóloga pela UFPE, mestre em comunicação pela USP. Foi pesquisadora no Instituto Locomotiva. Cuida da pauta geral e da linha editorial. Não responde reunião antes das dez.
Estatístico pela UFMG, com nove anos em institutos de opinião. Comanda método, base de dados e revisão de campo. Escreve um post-mortem ao fim de cada edição. Já errou três previsões em sete anos.
Repórter de cultura. Cobre as nove cidades da Região Metropolitana do Recife e o eixo Caruaru–Garanhuns. Tem 1.200 contatos no celular e nunca anota nada — diz que isso atrapalha.
Geógrafo formado pela UFAM. Cobre o Amazonas, Roraima e o eixo de Belém. Faz a ponte com a base de pesquisadoras ribeirinhas. Trabalha mais por WhatsApp do que por e-mail, e a gente entende.
Cientista social, formada na UFRGS. Cobre o Sul, com foco em consumo de fronteira e mídia regional. Coordena a sub-base de cidades-gêmeas com Uruguai e Argentina.
Letícia, Tarsila, Pedro e Inara cuidam de base de dados, revisão, contato com fontes e linguagem. Nenhuma reportagem fecha sem passar pelas mãos de pelo menos três delas. Não é por excesso. É porque a gente já errou.